Home BACANA NEWS O que se sabe sobre a cloroquina, um dos motivos da queda de Teich

O que se sabe sobre a cloroquina, um dos motivos da queda de Teich

O que se sabe sobre a cloroquina, um dos motivos da queda de Teich

Foto: GERARD JULIEN/AFP

Por Lucas Agrela, EXAME

Um dos principais pontos de discórdia entre o presidente Jair Bolsonaro e o agora ex-ministro da Saúde Nelson Teich foi a visão sobre a aplicação da cloroquina a pacientes infectados pelo novo coronavírus. Apesar do entusiasmo político em relação ao medicamento, usado contra a malária, estudos científicos não mostram benefícios da droga para o tratamento da covid-19. 

Feita por pesquisadores de Manaus (AM), uma pesquisa avaliou os efeitos da cloroquina em pacientes infectados pelo coronavírus. Para o teste, foram adotadas duas dosagens diferentes. O estudo, feito com 81 participantes, ligou altas doses da cloroquina a mais mortes.

As dosagens adotadas foram de 600mg duas vezes ao dia, ao longo de dez dias; e 450 mg por cinco dias, com aplicação duas vezes ao dia apenas logo no primeiro dia de tratamento. Os indivíduos receberam o medicamento por meio de uma sonda nasogástrica. A taxa de mortalidade foi mais alta entre as pessoas que receberam maior dosagem do medicamento: 17% contra 13,5% no segundo grupo, que recebeu dosagem menor de cloroquina. Junto ao remédio, também foram dados ceftriaxona e azitromicina aos pacientes.

A variante hidroxocloroquina tem evidências científicas mais robustas quanto à sua ineficácia no combate ao coronavírus. Dois estudos feitos com mais de mil participantes mostram que o medicamento não foi eficaz no tratamento da covid-19 para reduzir o número de mortes. 

O maior estudo sobre o medicamento hidroxicloroquina, usado para artrite e lúpus, não mostra redução de mortes de pacientes com covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus. A pesquisa envolveu 1.438 pessoas e avaliou o impacto do remédio tanto com como sem o antibiótico azitromicina. Divididos em quatro grupos, os resultados não foram promissores: 

– 25,7% dos pacientes que receberam hidroxicloroquina e azitromicina morreram;

– 19,9% dos pacientes que receberam hidroxicloroquina morreram;

– 10% dos pacientes que receberam azitromicina morreram;

– 12,7% dos pacientes do grupo de controle morreram;

Validado pelo processo de análise de pares, uma certificação importante na comunidade científica global, o segundo maior estudo já feito sobre o uso da hidroxicloroquina no combate à covid-19 mostra que o medicamento não é efetivo no tratamento da doença. A pesquisa foi feita por pesquisadores da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, com 1.376 pacientes

Por conta desses estudos, a Organização Mundial da Saúde não indica o medicamento como um dos possíveis tratamentos benéficos para a covid-19.