A dermatologista, Natasha Veloso Sena, iniciou os estudos em Marketing em São Paulo. Durante a Residência em Ginecologia e Obstetrícia, pelo Hospital Municipal do Tatuapé, observou a existência de um certo descaso na relação médico/paciente, que perdiam o contato após a consulta. Inconformada com a falta de comunicação, a Dra. Veloso, como é conhecida, aderiu às mídias sociais, trocou a Ginecologia e Obstetrícia pela Dermatologia, e observou que as mídias levaram novos pacientes ao seu consultório.
Decidiu levar o Marketing mais a sério, adquiriu mais conhecimentos e foi à campo, até ser contratada pela Medical Innovation School, para ministrar aos alunos o C.O.R.E., um método desenvolvido por ela, que é formada pelo Centro Universitário do Pará, com especialização em Dermatologia pelas Faculdades BWS e professora de Marketing Médico Digital.
Por muito tempo, a área da saúde foi avessa ao Marketing, devido aos códigos de ética. O que mudou nesses anos?
NV – Primeiramente, a vida social mudou. Temos uma vida social “real” e, agora, uma nova, a virtual. E, com o surgimento desse novo momento, houve a necessidade de uma nova forma de regulamentar os profissionais, dentro do contexto das mídias digitais. Os órgãos reguladores precisaram modificar seus códigos de conduta, para abranger essa vida social virtual e orientar os profissionais a como agir, no ponto de vista ético.
De 0 a 05, quanto a internet influência o paciente, na escolha do médico?
NV – As mídias digitais preferem não divulgar dados oficiais. As informações que temos são de pessoas estudiosas, chegando a um denominador comum.
Quase 50% da população mundial (3.5 bilhões de pessoas) está inserida em alguma rede social. Em média, mais de 60% deseja descobrir novos serviços e produtos por essa via.
Em São Paulo, quase 70% dos meus pacientes particulares recentes me encontraram via mídia social. Viram um profissional do agrado, conheceram meu curriculum e chegaram até mim. Então, daria, pelo menos, a nota 4!
Como funciona o Marketing Digital na Saúde?
NV – Atualmente, o Marketing Digital é focado no inbounding marketing, uma forma diferente de gerar estratégia de vendas de produtos ou serviços.
Não é o produto que vai ao consumidor e sim o consumidor que vai até ele. As redes sociais dispõe de algoritmos que definem o público a ser alcançado, baseadas no perfil de consumo do usuário, algo de grande serventia aos profissionais da saúde. Então, se alguém deseja os meus serviços, por que não oferecê-lo?
Qual o papel do Marketing Digital para a sociedade?
NV – Creio que seja aumentar a oferta de produtos e serviços que interessam ao público alvo, gerar conteúdo importante e de impacto, além de oferecer oportunidades aos muitos profissionais pequenos, para que possam alavancar suas carreiras, com baixo investimento.
Como iniciar uma estratégia de Marketing Digital na área médica?
NV – Com vantagens e desvantagens, há muitas ferramentas disponíveis no mercado. Falando, especificamente, utilizo o método C.O.R.E., que desenvolvi após participar de muitos cursos, congressos e com a minha experiência profissional no consultório. Selecionei o que percebi ter mais resultado, em menos tempo e com baixos custos.
O primeiro passo é criar uma conta profissional no binômio Instagram/Facebook. Apesar do Google ser ferramenta fortíssima de encontro de profissionais da área da Saúde, não é a mídia que mais impacta na escolha dos profissionais. Os pacientes preferem conhecer e entender um médico através do InstaFace, como costumo chamar, e criar uma nova conta neste binômio. Deve-se evitar misturar perfil pessoal com o profissional, a fim de selecionar o público desejado. O resto, é dedicação, persistência e estudo.
Por que os profissionais de Saúde devem investir em Marketing Digital?
NV – O crescimento nas redes sociais ainda é desordenado, dando espaço a quem trabalha o seu perfil de forma profissional. Quem investe no Marketing Digital cresce muito além dos que utilizam essas ferramentas de forma recreativa. É uma oportunidade quase que a custo zero para alavancar carreiras, tendo como base um público de 3.5 bilhões de pessoas, ávidas por consumir, conhecer e aprender com um profissional que dialoga abertamente com o seu consumidor e que se mostra ser gente como a gente.