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‘Setembro Verde’ chama atenção da sociedade para importância da doação de órgãos

‘Setembro Verde’ chama atenção da sociedade para importância da doação de órgãos

Foto: Divulgação/HRBA

Por G1 Santarém

Para abrir a programação do “Setembro Verde” que visa sensibilizar a sociedade sobre a importância da doação de órgãos, um workshop coordenado pela Organização à Procura de Órgãos (OPO), reúne profissionais de saúde no Hospital Regional do Baixo Amazonas (HRBA), em Santarém, oeste do Pará, com a participação da coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Maria Ierecê.

Identificação de pacientes em provável morte encefálica, Manutenção de potencial doador em morte encefálica, Potencial doador em coração parado e captação de tecidos (córneas) para fins de transplantes, Panorama do transplante Renal e Acolhimento Familiar e comunicação de más notícias, são temas abordados no workshop.

De novembro de 2016 a agosto de 2019, o HRBA já realizou 51 transplantes, e captou 120 órgãos. Os números são expressivos, porém, se houvesse uma conscientização maior por parte das famílias que têm entes com morte encefálica, mais transplantes poderiam ser realizados.

“Setembro é o mês escolhido para falarmos intensamente sobre a questão da doação de órgãos. Nós conseguimos implantar esse projeto no Hospital Regional com grande sucesso, mas a doação de órgãos é fundamental para que ocorra o transplante. Nós comemoramos o número de 51 transplantes, mas ainda temos dificuldade das pessoas entenderem que só existe transplante se houver a doação”, destacou o diretor geral do HRBA, Herbert Moreschi.

A fila nacional de transplantes é muito grande e o nível de conscientização ainda é muito baixo. Apenas 32% de potenciais transplantes foram realizados porque quase 70% das pessoas negaram a possibilidade de doação de órgãos de familiares com morte encefálica.

Moreschi ressalta que a fila de pessoas que aguardam uma segunda chance é muito grande, e só vai diminuir quando as doações aumentarem. “As pessoas precisam compreender que quando elas perdem um ente querido elas têm duas opções: pela morte ou pela vida. A gente faz um apelo para que as pessoas façam opção pela vida”.

Qualidade de vida

Chefe da equipe de transplantes de rim, do HRBA, o nefrologista Emanuel Espósito diz que o número de 51 transplantes realizados mostra que o hospital está no caminho certo, que está conseguindo atender boa parte da população, tirando dezenas de pacientes da hemodiálise e de diálise peritoneal, do risco de vida, inclusive com a melhora da qualidade de vida com os transplantes.

“O número surpreende pelo pouco tempo que começamos, foi no final de 2016. Começamos com doador vivo somente, e agora também com doadores falecidos. É claro que isso é muito aquém do que os paciente precisam, mas foi um belo de pontapé inicial e vamos continuar crescendo”, disse.

Espósito contou que além dos pacientes transplantados em Santarém, o HRBA atende quase o mesmo número de pacientes de Santarém e região que fizeram transplantes em outros estados e agora estão de volta ao município fazendo o acompanhamento no Regional.

“A doação é fundamental para realizar o transplante. Cada indivíduo tem mais chance de receber um órgão do que doar. Então, a doação além de um ato de amor é próximo, é um ato responsável e de cidadania, que vai ajudar a salvar as vidas de vários pacientes com rins, coração, pâncreas, fígado, córneas, osso e pele”, pontuou.

Luta árdua

A luta para que o transplante de rim se tornasse uma realidade em Santarém começou em 2012, com a Associação de Renais Crônicos e Transplantados do Oeste do Pará.

“Naquela época, o Hospital Municipal passava por um problema de falta de máquinas de hemodiálise, praticamente fechando o serviço. A Associação acionou o Ministério Público, e 10 máquinas foram enviadas pelo Governo do Estado para Santarém. A atuação do Ministério Público foi muito importante para que o Governo do Estado investisse nos transplantes em Santarém, e isso hoje é uma realidade”, contou o presidente da associação, Miguel Maciel.

Novos transplantes

Com a consolidação dos transplantes de rim em Santarém, a direção geral do Hospital Regional do Baixo Amazonas já está em conversação com o Ministério da Saúde e o Governo do Estado para ampliar o número de transplantes renais, e para implantar o transplante de córnea e de fígado nos próximos anos.

“É um processo lento, porque envolve equipes treinadas, uma estrutura consolidada e custos elevados. É preciso trabalhar com três ou quatro anos de antecedência para implantar mais tipos de transplantes. Nós começamos esse processo agora para que nos próximos anos, mais órgãos sejam transplantados no HRBA”, finalizou Herbert Moreschi.