Piloto sobrevivente de queda voava com carga ilegal, diz MPF

Foto: Marcelo Seabra/Agência Pará

O piloto comercial Antônio Araújo de Sena ficou conhecido após se tornar notícia internacional ao sobreviver a um desastre aéreo e ficar 36 dias desaparecido no meio da floresta Amazônica, no ano passado. Após o resgate, o piloto deu entrevistas, palestras e ainda chegou a escrever um livro contando a experiência vivida durante os 36 dias em que ficou perdido na mata.

Em meio ao “glamour” ocasionado pelo acidente, o piloto tem que encarar uma nova realidade. Antônio foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por colocar vidas e bens privados em risco ao pilotar uma aeronave que não apresentava condições de voo, transportando carga ilícita para um garimpo ilegal. Caso seja condenado, o piloto pode pegar uma pena de quatro a doze anos de detenção.

O pilotou decolou de uma pista localizada no município de Alenquer, no Oeste paraense, no dia 28 de janeiro de 2021, com a missão de transportar mantimentos e diesel para a manutenção de um garimpo Treze de Maio, localizado na Reserva Biológica Micuru, na fronteira entre o Pará e o Amapá.

Além da falta de registro, o garimpo é alvo de duas investigações sigilosas relativas a crimes cometidos em decorrências das atividades realizadas de forma ilegal.

Antônio declarou, em depoimento, que havia sido contratado por R$ 300/hora pelo garimpeiro Edivaldo Paiva Carvalho para transportar cerca de 600 litros de óleo diesel, assim como alimentos que fariam parte das refeições no garimpo. 

De acordo com a denúncia do MPF, o voo estava em desacordo com orientações e autorizações da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) já que tinha como destinação uma pista que não é homologada pelo órgão. Além disso, a aeronave teria decolado com 135 kg de sobrecarga. 

Um laudo pericial feito após o resgate do piloto constatou que o avião tinha um “sistema elétrico inoperante e uma condição aerodinâmica degradada”.

Além da denúncia do MPF, a Polícia Federal também está investigando o avião pilotado por Sena. Em um inquérito feito pela polícia, a aeronave seria usada por uma organização criminosa no tráfico de armas e de drogas. 

Por DOL, com informações do Infoamazonia