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Parque do Utinga é laboratório para a biodiversidade Amazônica

Parque do Utinga é laboratório para a biodiversidade Amazônica

A floresta amazônica abriga aproximadamente 30 milhões espécies de vegetais, dentre esses as de maior destaque são a castanheira, a seringueira, o cacaueiro e um dos símbolos da Amazônia, a vitória-régia. No Parque Estadual do Utinga (Peut) -reaberto ao público pelo governo do Estado nos próximos dias 16 e 17 de março – em uma área de 1.393,088 hectares, é possível encontrar representantes dessas mesmas espécies. Criado para proporcionar um espaço de lazer à comunidade, o Peut é um verdadeiro laboratório desta biodiversidade.

No parque existem nove classes de paisagem e, no seu entorno, há oito dessas classes. Em seu interior, predomina a floresta ombrófila densa de terra baixa, onde as classes vegetais abundantes são a floresta de terra firme (54,15%), a floresta inundável de igapó (6,78%), a floresta secundária (4,33%), a vegetação aquática (7,31%), a vegetação de igapó em regeneração (1,31%) e o fragmento florestal isolado (0,18%).

A floresta de terra firme é predominante no local, ocupando uma área de 754,75 hectares (54,15%). Essa cobertura possui característica de floresta com mais de 40 anos, sem sinais de degradação.

O Peut está totalmente inserido na Área de Proteção Ambiental da Região Metropolitana de Belém (RMB) e faz limite ao norte com os bairros Guanabara e Castanheira; a oeste com o bairro Souza; a leste com os bairros Aurá e Águas Lindas; e ao sul com o bairro Curió-Utinga.

Para o engenheiro florestal e diretor de Gestão da Biodiversidade do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – (Ideflor-bio), Crisomar Lobato, o Parque Estadual do Utinga tem grande importância biológica porque contém testemunhos das florestas originais e dos ecossistemas vegetais originais da RMB.

Para o público conhecer toda essa natureza, ele destaca que o parque possui nove trilhas ecológicas interpretativas, com a Trilha do Macaco, onde estão diferentes tipos de ecossistemas vegetais, sendo possível conhecer, estudar e apreciar esses ecossistemas.

Conservação

O Peut faz parte da Área de Proteção Ambiental (APA) da RMB. O Refúgio de Vida Silvestre Metrópole (Revis) da Amazônia e a Área de Proteção Ambiental Ilha do Combu são as Unidades de Conservação Estaduais que formam a Região Administrativa de Belém.

Entre os mais de 16 mil hectares de área protegida, 7.760 hectares (47%) correspondem a Unidade de Conservação (UC) e de Proteção Integral – o Parque Estadual do Utinga e o Revis.

O Parque, formado por florestas de terra firme e inundadas, abriga os principais mananciais de água doce da região. Os Lagos Bolonha e Água Preta distribuídos em quase 400 hectares de lâmina d’água, com volumes de 2 e 10 bilhões de litros de água, respectivamente, são responsáveis pelo abastecimento, de forma direta ou indireta, a 70% da população da RMB.

Aproximadamente 150 mil pessoas moram no entorno dessas terras, sendo uma das principais ameaças às áreas de proteção (Apas) do meio ambiente, explica o diretor. Juntas estas Apas formam um imenso corredor ecológico e um inestimável laboratório da biodiversidade amazônica.

Conforto

O pesquisador do Museu Emílio Goeldi e coordenador da Estação Científica Ferreira Pena, Leandro Ferreira ressalta que por associar diversas formas de vegetações, o Peut é um tesouro próximo à população e responsável pelo conforto térmico na cidade.

Em artigo publicado pelo pesquisador, ele descreve que o desafio das grandes cidades atualmente é propiciar um crescimento e um desenvolvimento urbano, que proporcionem geração de riqueza, qualidade de vida e qualidade ambiental para seus atuais e futuros habitantes. “As áreas verdes são essenciais na vida dos cidadãos, pois, além de se constituírem em espaços de lazer, reduzem a poluição atmosférica e contribuem para a regulação do micro-clima urbano, diminuindo a temperatura”, explica Leandro Ferreira. Além disso, completa: “as áreas verdes aumentam a circulação do ar e retêm até 70% da poeira em suspensão”, diz.

A Grande Belém concentra 1,8 milhões de habitantes (quase um terço da população do estado do Pará), sendo representada pelos municípios de Ananindeua, Marituba, Santa Bárbara, Benevides e Belém. Nos últimos 15 anos, toda essa área perdeu cerca de 200 km2 de sua cobertura vegetal, resultado do crescimento urbano acelerado, sem planejamento e controle normativo do uso do solo. “A perda de áreas verdes urbanas implica na perda de qualidade de vida na capital paraense.”, ressalta o pesquisador.

Ele destaca ainda outro diferencial do Peut. “Lá estão as melhores condições entre os parques urbanos de Belém em relação a tamanho, forma e grau de isolamento dos fragmentos florestais. Este parque e os outros fragmentos estão localizados na região Sudoeste de Belém, uma região com os melhores fragmentos florestais urbanos, portanto os mais indicados, por exemplo, para a soltura de animais e também para a manutenção da flora e da fauna da área metropolitana de Belém”,afirma o professor.

Para Leandro, este corredor ecológico equilibra o microclima da cidade de Belém, onde está a maior concentração populacional da região Amazônica, que vem atuando através de séculos de atropismo e de modificação da vegetação. “Este cinturão de áreas verdes também influencia e é responsável pelo conforto térmico da Região Metropolitana de Belém”, comenta.

Extinção

A flora do Parque Estadual do Utinga abriga  espécies que estão em processo de extinção, como um dos últimos remanescentes de florestas nativas desta região. Nas florestas de várzea é possível encontrar uma espécie muito explorada por causa de seu valor comercial, a virola surinamenses  utilizada na produção de compensados e praticamente extinta em florestas de várzea, mas ainda com um estoque representativo da espécie no Parque do Utinga.

Ali também se encontra grande extensão de açaizais, que não estão em extinção, mas são de fundamental importância para a sobrevivência de muitas comunidades. Eles também fornecem alimentação para a própria flora local.

Assim como o Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia, o Peut também é uma Unidade de Conservação de Proteção Integral. Por isso, essas unidades devem preservar e proteger os ecossistemas neles envolvidos. Além disso, são áreas dedicadas à pesquisa científica e a estudos para a educação ambiental e para o ecoturismo. Dentro do ecoturismo, o parque possui um trabalho de educação ambiental voltado à população de Belém para preservar dessas unidades de conservação, porque elas são tão importantes para a vida, quanto aquelas de uso sustentável.

“O parque pertence à população porque ele devolve este serviço ambiental  amenizando o clima. Com conhecimento técnico científico, tudo pode se reverter em benefícios da população”, comenta o engenheiro florestal e diretor de Gestão da Biodiversidade do Ideflor-Bio, Crisomar Lobato.

Fauna X Flora

Para Crisomar, a fauna não sobrevive sem a flora. Neste sentido, o parque desenvolve projetos que estimulam essa relação, como a reintrodução das ararajubas, uma espécie localmente extinta. Elas se alimentam de frutos como a açaí e o muruci que fazem parte da fauna do parque. “Isso equilibra o ecossistema da região”, destaca.

Outro projeto para o equilíbrio do ecossistema envolve a vegetação macrófita flutuante (representadas pela classe vegetação aquática) e o peixe-boi em ameaça de extinção. Na superfície dos lagos Bolonha e Água Preta são visualmente perceptíveis este tipo de vegetação.

Crisomar Lobato ressalta ainda que, o trabalho de introdução de peixes-boi no Lago Bolonha, que se alimentam das macrófitas aquáticas, fortalecerá a cadeia alimentar e esta relação entre a flora e a fauna. Ele comenta também que as florestas e matas do Parque do Utinga não possuem só árvores e, sim muito conhecimento sobre a biodiversidade amazônica. ”Precisamos estudar e colocar este conhecimento a disposição da população”, destaca.

 

Trilhas interpretativas do Parque do Utinga:

Para realizar as trilhas é necessário estar vestido adequadamente, utilizando chapéu, camisa de manga comprida ou casaco ou jaqueta, calça comprida, calçado adequado (bota ou tênis).

Trilha do Acapu – Grau de Dificuldade: Médio

Trilha da Água Preta – Grau  de Dificuldade: Difícil

Trilha do Amapá – Grau de Dificuldade: Fácil

Trilha do Bolonha – Grau de Dificuldade: Fácil

Trilha da Castanheira – Grau de Dificuldade: Médio

Trilha do Patauá – Grau de Dificuldade: Fácil

Trilha do Macaco – Grau de Dificuldade: Médio

Trilha da Paxiuba – Grau de Dificuldade: Fácil

Trilha da Mariana e do Bolonha – Grau de Dificuldade: Médio

 

Serviços do Parque do Utinga (entregues em caráter experimental): 

1) Centro de Acolhimento

2) Espaço Milton Monte

3) Recanto da Volta

4) Quatro quilômetros de trilha central

5 ) Trilhas Interpretativas na mata

 

Acompanhe a programação de inauguração do Parque Estadual do Utinga

Dia 16/03 (sexta-feira)

16h30 – Exibição de vídeos sobre o Parque do Utinga e sua diversidade no auditório do Espaço Acolhimento.

Apresentação do “Boi Veludinho”

Apresentação artística de Crianças do Pro Paz.

Apresentação da Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz.

 

Dia 17/03 (sábado)

8h – Caminhada Ecológica

12h – Liberada entrada de bicicletas, patins e skates (restrição exclusivamente para este dia, por conta da caminhada, sendo permitido uso posteriormente).

 

Dia 18/03 (domingo)

O parque funciona normalmente no horário de 5h30 às 17h, assim como nos outros dias, de segunda a segunda.