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Navio que naufragou no AP não tinha autorização para operar no trecho do acidente, diz Antaq

Navio que naufragou no AP não tinha autorização para operar no trecho do acidente, diz Antaq

Foto: Reprodução/Redes sociais

Por Fabiana Figueiredo, G1 Amapá

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) enviou para Macapá dois servidores para apurar as circunstâncias do naufrágio da embarcação Anna Karoline 3 no sábado (29), no Sul do Amapá. A agência abriu um processo e já identificou que a empresa proprietária do navio não tem autorização para atuar na área onde a embarcação afundou.

O sinistro aconteceu entre os municípios de Santana (AP) e Santarém (PA). Mas a empresa Erlon Rocha Transportes LTDA só tinha, segundo a Antaq, autorização para operar a linha Santarém-Manaus.

G1 não conseguiu contato com a empresa Erlon Rocha Transportes LTDA. Em nota divulgada no sábado (29), em uma rede social, o empreendimento declarou que a embarcação estava alugada para um terceiro. O G1 não localizou a pessoa citada pela empresa.

No último boletim divulgado pelo governo do Amapá, na noite de segunda-feira (2), 18 corpos foram encontrados, 12 pessoas estavam desaparecidas, e 46 pessoas foram resgatadas do local do naufrágio.

A Antaq assegurou que, quando concluir o trabalho de investigação, “tomará as medidas cabíveis conforme a legislação em vigor e emitirá uma nota”.

Veja dados da Antaq sobre o navio:

  • Nome: Anna Karoline 3
  • Linha autorizada: Santarém – Manaus
  • Comprimento: 38,25 metros
  • Largura: 7,3 metros
  • Capacidade de passageiros: 242 passageiros (sem qualquer carregamento adicional)
  • Capacidade de carga: 89 toneladas
  • Quantidade de convés: dois

O naufrágio

O Anna Karoline 3 saiu por volta das 18h de sexta-feira (28) de Santana, no Amapá, em direção a Santarém, no Pará. A viagem entre as duas cidades dura, em média 36, horas. A previsão de chegada em Santarém era às 6h de domingo (1º).

Mas a viagem foi interrompida na madrugada de sábado, próximo à Ilha de Aruãs e à Reserva Extrativista Rio Cajari, no Rio Jari (veja no mapa abaixo). A região fica a 130 km de Macapá, em um local de difícil acesso e comunicação – o chamado de socorro foi feito às 5h, e o helicóptero de resgate do governo do estado só chegou ao local por volta das 14h de sábado.

O Corpo de Bombeiros afirmou que não há um número oficial de vítimas, pois a embarcação não tem uma lista de passageiros para orientar as buscas, mas o que se sabe é que estavam sendo transportadas no mínimo 60 pessoas.

Sobreviventes descreveram que chovia e ventava forte na hora do naufrágio. A Capitania dos Portos ainda vai investigar o que provocou o acidente.

A Polícia Civil do Amapá abriu um inquérito para apurar criminalmente o caso e busca identificar se a embarcação estava com excesso de carga. O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público (MP) estadual também se mobilizam para investigar criminalmente as circunstâncias que envolvem o naufrágio.

A prefeitura de Macapá decretou situação de emergência para ajudar familiares de vítimas e sobreviventes, com envio de água mineral, medicamentos, alimentação, roupas, material de higiene pessoal, combustível, e ainda disponibilizando auxílio funeral.