Dia Mundial da Obesidade: campanha alerta para riscos do distúrbio no Pará

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

No dia 4 de março é celebrado o Dia Mundial da Obesidade; a Sbem Pará aproveita a data para promover informação e prevenção sobre a condição

Esta segunda-feira (4) é marcada pelo Dia Mundial da Obesidade. A data tem como objetivo fazer um alerta sobre as implicações da condição considerada crônica no corpo humano. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem) – Regional Pará aproveita o dia para promover campanhas de prevenção à obesidade.

Em 2024, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, em parceria com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e o World Obesity Day, promovem a campanha “Vamos Falar Sobre Obesidade”. O dia busca incentivar diálogos que estimulem o conhecimento sobre a doença, combater o estigma e agir para melhorar a prevenção e o tratamento da obesidade.

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, o que implica em uma série de efeitos nocivos ao corpo humano. O distúrbio aumenta o risco de outras doenças, como hipertensão arterial, colesterol alto, diabetes, apneia do sono, acúmulo de gordura no fígado, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e pode até estar relacionada ao surgimento de alguns tipos de câncer.

A obesidade aumenta a nível global. Estimativas da Federação Mundial da Obesidade (WOF) apontam que, até 2035, 1,9 bilhões de pessoas em todo mundo viverão com obesidade, o que representa uma em cada quatro pessoas. Além disso, entre 2020 e 2035, a obesidade infantil deve aumentar em 100%. No Brasil, uma pesquisa do Ministério da Saúde mostra que a doença saiu de 11,8% da população em 2006 para 19,8% em 2018.

Já no Pará, ainda conforme dados do Ministério da Saúde de 2022, a condição de obesidade está presente em 23,5% dos paraenses. Entre as crianças, em números do mesmo ano, 7,3% dos menores de 5 anos e 10,1% das crianças entre 5 e 9 anos registram peso elevado para idade. Já entre os adolescentes, 18,2% registram excesso de peso e 10,1% são considerados obesos.

“Esse crescimento e a maior prevalência da doença são alarmantes, já que a condição traz graves consequências à saúde, incluindo o maior risco de desenvolvimento de doenças crônicas, além de estar associada a maiores índices de mortalidade”, alerta a médica endocrinologista Mayana Barros, atuante no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) e membro da diretoria regional da Sbem.

Causas
Conforme a médica endocrinologista, não existe apenas um fator que cause a obesidade, mas são consideradas questões genéticas, individuais e comportamentais. “Hábitos alimentares saudáveis e a prática regular de atividade física são fatores importantes para prevenir o diabetes e uma série de outras condições. Em contrapartida, a falta deles, acaba se tornando um fator de risco para o distúrbio”, explica.

Diagnóstico
Para o diagnóstico da obesidade, é utilizado o cálculo de Índice de Massa Corporal (IMC), que é feito dividindo o peso em quilos pela altura em metros ao quadrado. Um resultado acima de 30 significa IMC elevado e a pessoa passa a ser considerada obesa. Monitorar o índice é importante para modificar comportamentos alimentares e o incremento de atividades físicas na rotina.

Tratamento
O tratamento da obesidade consiste na adoção de práticas alimentares saudáveis e atividades físicas, além do uso de medicações aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), desde que adequadamente indicadas e supervisionadas por um médico.

“É um tratamento a longo prazo, preferencialmente com equipe multidisciplinar, onde mudança de estilo de vida é um dos principais pilares, e o uso de medicações pode ser associado também. Deve-se lembrar que é uma condição crônica, que precisa de seguimento por longo prazo, e nunca deve ser vista como causada por um único fator,” completa Mayana.

Prevenção

  • Consuma frutas e verduras diariamente;
  • Aumente o consumo de fibras (ex.: chia, aveia e linhaça);
  • Evite o consumo dos alimentos ultraprocessados (ex.: biscoito recheado, salgadinho de pacote, refrigerantes, macarrão e sucos instantâneos etc.);
  • Evite o consumo de alimentos fritos e gordurosos;
  • Prefira carnes magras e retire a pele e gordura visível das proteínas antes do cozimento;
  • Evite o consumo de bebidas adoçadas artificialmente ou gaseificadas;
  • Evite distrações ao se alimentar, preferindo realizar as refeições em ambientes tranquilos.