Afastamentos por doenças mentais crescem a cada ano

Foto: Divulgação

Síndrome de Burnout é um dos transtornos que afetam cada vez mais trabalhadores em todo o Brasil

De acordo com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em 2022, 209.124 mil pessoas foram afastadas do trabalho por transtornos mentais, entre depressão, distúrbios emocionais e Alzheimer, enquanto em 2021 foram registrados 200.244 afastamentos. Segundo a Associação Nacional de Medicina do Trabalho (Anamt), aproximadamente 30% dos trabalhadores brasileiros sofrem com a Síndrome de Burnout, colocando o País em segundo lugar com mais casos diagnosticados em todo o mundo.

Com um número crescente de casos, o espaço laboral se torna um dos principais impulsionadores de problemas psicológicos. “Os ambientes de trabalhos, em sua maioria, são carregados de pressões e exigências pela alta produtividade, onde os trabalhadores se sujeitam a essas condições pela manutenção de seus postos de trabalho. Infelizmente podemos afirmar que esses ambientes encontram-se adoecidos, e consequentemente acabam adoecendo seus funcionários. Passamos a maior parte do nosso tempo trabalhando, e dentro desse cenário não podemos simplesmente deixar de lado algo crucial para nossa qualidade de vida que é a saúde mental”, ressalta a psiquiatra Daniele Boulhosa.

Segundo a médica, a saúde dos colaboradores está diretamente ligada à sua satisfação pessoal e à produtividade no ambiente de trabalho. “O que a pessoa sente na vida privada influencia diretamente o seu desempenho no trabalho, e vice-versa. É fundamental que as empresas adotem políticas de apoio à saúde mental e promovam um ambiente de trabalho acolhedor, onde o bem-estar dos colaboradores seja prioridade, pois isso vai influenciar para o sucesso e sustentabilidade das organizações”.

Síndrome de Burnout

A Síndrome de Burnout se caracteriza pelo esgotamento mental do trabalhador que pode levar à depressão, o que dificulta seu desempenho no ambiente de trabalho. Ela foi reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2022, como uma doença ocupacional que apresenta sintomas físicos e emocionais.

“Os sintomas surgem de forma minuciosa e podem ser confundidos com cansaço, porém o paciente acaba apresentando alterações no sono e apetite, fadiga e dores musculares, a até mesmo alterações cardiovasculares, o que na maioria das vezes leva ao afastamento do trabalho. Por isso é importante trabalhar com algo que se ame e encontrar o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, assim como evitar o consumo de álcool e drogas quando os sentimentos conflitantes que resultam do trabalho surgirem, pois só pioram os sintomas”, explica Daniele.

Vivenciar o estresse no ambiente de trabalho é normal. O alerta se acende quando esse estresse se torna recorrente e crônico, ou seja, quando uma boa noite de sono ou um final de semana de descanso não conseguem amenizar os sintomas que nesse caso são muito mais severos, o que resulta em cansaço físico e mental extremo. “Nesses casos o trabalhador necessita se afastar do trabalho para se submeter ao tratamento correto, que na maioria das vezes envolve antidepressivos e atividades não relacionadas ao trabalho, como atividade física e tempo com a família e amigos, além de acompanhamento terapêutico”, conclui a especialista.